Fraude, tentativa de suborno para recuperação dos questionários, cancelamento da realização das provas, escândalo na mídia… A gente já sabe de tudo isso. Mas, na prática, quais consequências o vazamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) trouxe para os vestibulandos?
Criado em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho dos estudantes quando estes concluíssem o Ensino Médio, desde seu início o ENEM serviu como complemento para a nota de vestibulares. Em abril deste ano, porém, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que o exame substituiria as provas de universidades federais, com a proposta de se tornar um tipo de vestibular unificado nacionalmente. De imediato, 22 universidades públicas e mais de 500 particulares adotaram a medida. Foi aí que veio o grande problema: quando o ENEM foi cancelado, todas essas instituições ficaram sem a prova para seus respectivos processos seletivos. Além disso, as que contavam com a nota do Enem na composição de seus programas de seleção de estudantes tiveram que adiar o início das aulas para poderem realizar as aprovações ou, simplesmente, desconsideraram o bônus.
Obviamente, os estudantes que estavam se preparando e contando com o exame para composição de suas notas no vestibular ficaram revoltados. O tempo gasto com o estudo para o ENEM foi, para muitos, em vão. Instituições importantes, como Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP), decidiram não utilizar mais a prova. Outras, como Senac, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP-FGV), Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC), tiveram seus cronogramas alterados para não coincidirem com as datas de realização das provas do ENEM, remarcadas para serem aplicadas nos dias 05 e 06.
Fora o transtorno provocado por essas mudanças, ficou ainda a descrença: será que isso nunca ocorreu antes? Será que o ENEM sempre proporcionou aos vestibulandos chances iguais na hora de realizar a prova? É uma questão para ser repensada. Afinal, como toda essa confusão, que garantia nos restou?

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