02
dez

Entrevista com o Prof. Pachecão

Dr. Brittopor
Dr. Britto

José Inácio da Silva Pereira, conhecido como Professor Pachecão, é professor de cursinho e sinônimo de alegria, criatividade, e irreverência. Foi ele que inventou o conceito de “aula show”, que mudou a forma de ensino no Brasil.

Ele é engenheiro mecânico, com pós-graduação em gestão de negócios pela UFMG, Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela FGV e atualmente, é mestrando em Gestão e Auditoria Ambiental pela Universidade Leon da Espanha. Entrevistamos o professor, que tem vasta experiência com jovens que fazem cursinho, para descobrir algumas dicas boas de estudos para quem está se preparando para o vestibular.

- De onde você tirou a ideia de criar o estilo “aula show”?
Eu era aluno de cursinho pré–vestibular estudava em SP no Etapa.  No último dia de aula antes do vestibular da Fuvest, o professor chamou alguém para cantar com ele e ninguém se manifestou, então eu subi no palco e cantamos “ Trem das 11”, a galera foi ao delírio e foi neste dia que ganhei os meus primeiros aplausos. Deste dia em diante pensei : “ Eu vou ser prof° de cursinho e vou levar adiante a ideia de música nas minhas aulas”. Um dia quando fui dar aula  de professor substituto em uma escola no Belo Horizonte,  com uma turma que não gostava de estudar, um dos alunos me deu um “puxão”,  eu me assustei, subi na mesa e comecei a  cantar, no fim da aula os alunos pediram para que eu voltasse todo dia para cantar uma música para eles. A partir daí comecei a cantar temas sobre física e gravei os discos:  “Adoro Física” e  “Odeio Física”.

- Por que você acha que funcionou?
Acho que funcionou justamente por utilizar a música na explicação de uma matéria, que é muito odiada por todos do planeta, inclusive  para os japoneses que estão do outro lado do mundo. A música despertou o interesse por falar na linguagem dos alunos.

- Fazer brincadeiras na hora de dar aulas ajuda a manter a atenção dos alunos, mas eles conseguem realmente aprender e entender os conceitos?
Sim, porque cria uma facilidade de aprendizado e abre portas para a comunicação, ficamos mais próximos. Os alunos conseguem me ouvir. Eu mesmo como aluno tinha dificuldade de concentração e sei que a maioria dos estudantes também tem. Às vezes o aluno está olhando para o professor, parece prestar atenção, mas muitas vezes mal sabe do que o professor está falando. Percebemos que estes alunos prestam mais atenção nos professores brincalhões em sala de aula, e quando brinco com eles a galera me ouve. Eu tento fazer a matéria ficar simples,p ois como não fui um bom aluno de física me vejo no lugar deles.

- Para você a internet atrapalha ou ajuda nos estudos?
Ela ajuda, mas é claro que o aluno de hoje não é o aluno de ontem, as pessoas mudam, os  comportamentos e valores também. Na internet encontramos coisas boas e ruins, o que a escola tem que fazer  é utilizar a internet como parceira, construindo sites interessantes com assuntos práticos do cotidiano dos estudos. A escola de hoje não é atrativa, foi a única coisa que não mudou no mundo, o ensino não evoluiu. Temos que incentivar o aluno, pois ele constrói com o professor o conhecimento, portanto ser aliado da internet deve ser uma realidade, a escola deve falar na língua do aluno, fazer com que ele goste de estudar.

- Pela sua experiência, os jovens podem descobrir como estudar com prazer? De que forma?
O  cursinho atende as necessidades do vestibular,  mas temos pouco tempo, pois temos que fazer revisão  das matérias que não foram dadas no ensino médio. O IBGE entre 2008 e 2009 informou que as escolas deram apenas para os alunos do ensino médio 9,8  % do conteúdo exigido. Porém, com a chegada do novo Enem, acredito que o colégio vai mudar de cara. A proposta do Enem não  sugere que o professor apenas passe a matéria na lousa, ele  terá que apresentar a situação ou problema e discutir com o aluno, esta discussão pode ser feita em sala de aula oval para todos se olharem, irá auxiliar o aluno a falar em público, construir argumentação e elaborar propostas. Devemos buscar  a interação entre alunos e professores e parar de dar aulas de jeito altivo. A própria universidade não está preparada para formar o professor,  tem de mudar o jeito de formar profissionais com a mesma prática de ensino da década de 70 ou 80. É necessário constuir o conhecimento com o aluno, pode ser  debaixo de uma árvore, uma viagem a cidades antigas como Ouro Preto ou Diamantino.

- Você percebe algum comportamento comum entre os jovens que costumam se sair melhor nos estudos?
O aluno que lê bastante,  que tem  a família presente com  uma estrutura familiar legal e pais que assinam jornais e revistas,  tem um comportamento diferenciado e um rendimento educacional bacana. São alunos sintonizados, que sabem o que quer.  Já aquele que tem a familia desestruturada e pais que não  tem a preocupação de levar o filho  para o teatro e cinema, tem dificuldades. Até mesmo a espiritualidade influência. Todas as variáveis contribuem para o sucesso no Enem e vestibular.

- Que dicas você pode dar para quem tem muita dificuldade em se concentrar e não consegue focar muito tempo nos estudos?
Eu tive dificuldades de concentração, então  comprei um livro de física resolvido e pela solução do autor anotava a idéia do exercício  e tentava resolver. Persistência, assim como perguntaram para  Saramago “Como escrever?” Ele disse: “meu filho você senta e depois escreve. Tem que doar o tempo e se dedicar”. Disciplina.

- O que você diz quando algum aluno pergunta, por exemplo: para quê estudar física, química e matemática se eu quero ser jornalista?
O professor tem que fazer a cabeça da galera nas aulas. Moçada tudo na vida tem a ver com física, biologia ou química, até para ser jornalista e ter que elaborar perguntas ele deverá saber o conteúdo de sua entrevista e  ser atualizado.  Como professor nos últimos minutos depois de passar a matéria, converso com a galera e explico para que serve o assunto de física que irei falar, atraio a atenção deles. O aluno tem que estudar, se ele estuda para aprender, ele levará a ciência para tudo que ele vê.

Categorias: Papo de Estudante

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3 para “Entrevista com o Prof. Pachecão”

  1. Entrevista com o Prof. Pachecão…

    José Inácio da Silva Pereira, conhecido como Professor Pachecão, é professor de cursinho e sinônimo de alegria, criatividade, e irreverência. Foi ele que inventou o conceito de “aula show”, que mudou a forma de ensino no Brasil….

  2. domelhor.net disse:

    Entrevista com o Prof. Pacheco…

    Jos Incio da Silva Pereira, conhecido como Professor Pacheco, professor de cursinho e sinnimo de alegria, criatividade, e irreverncia. Foi ele que inventou o conceito de aula show, que mudou a forma de ensino no Brasil….

  3. Dudu disse:

    Olá Pachecão meu amigo meu irmão continue este cara bacana,vivendo feliz e sempre na frente do tempo ajudando as pessoas serem felizes.

    Um abraço do amigo

    prof; Dudu Ferozzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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